MEC discute novas formas de avaliar ensino superior

O Ministério da Educa√ß√£o (MEC) discute novas formas de avaliar o ensino superior, e pretende reformular as regras para melhorar a qualidade dos cursos de gradua√ß√£o no

MEC discute novas formas de avaliar ensino superior

O Ministério da Educa√ß√£o (MEC) discute novas formas de avaliar o ensino superior, e pretende reformular as regras para melhorar a qualidade dos cursos de gradua√ß√£o no país, informou hoje (20) o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, ao anunciar os resultados de indicadores que medem a qualidade do ensino superior.

Segundo Lopes, uma revis√£o do Sistema Nacional de Avalia√ß√£o da Educa√ß√£o Superior (Sinaes) est√° sendo debatida internamente e junto a fóruns como o Conselho Nacional de Educa√ß√£o (CNE). “A lei do Sinaes é de 2004. Acho que é o momento da gente reavaliar nosso processo avaliativo, nosso processo regulatório. Isso vai ser feito junto com as institui√ß√Ķes de ensino superior públicas e privadas”.

A reformulação do marco normativo está sendo discutida internamente, de acordo com o presidente do Inep, e posteriormente será debatida com os demais representantes do setor.

O ministro da Educa√ß√£o, Milton Ribeiro, ressaltou que o papel da pasta é melhorar a qualidade do ensino superior. “Est√° na hora de pararmos um pouco e pensarmos na qualidade. Impossível os valores do or√ßamento do MEC e a qualidade que temos na educa√ß√£o brasileira. Nós precisamos tomar uma atitude”, disse, acrescentado que “precisamos focar na qualidade. Acho que n√£o podemos mais pensar em quantidade de uma maneira desequilibrada. Precisamos focar na qualidade”.

Conceito Enade

Os resultados do conceito Enade, calculado a partir do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), feito por estudantes que est√£o concluindo os cursos superiores, e do Indicador de Diferen√ßa entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), mostram que os cursos das universidades federais tiveram melhores desempenhos que os das institui√ß√Ķes privadas, que é onde est√° matriculada a maior parte dos estudantes avaliados.

“Essa semana, nós tomamos algumas decis√Ķes que, de maneira muito direta, podem parecer n√£o t√£o simp√°ticas à educa√ß√£o, [como a] suspens√£o de vestibular. Esse vai ser o ritmo que queremos dar ao MEC, de assumir mesmo uma posi√ß√£o na avalia√ß√£o da educa√ß√£o superior. Eu n√£o tenho, e a nossa equipe [também] n√£o, receio de fazer o que for preciso para suspender, credenciar ou descredenciar institui√ß√Ķes. Queremos focar na qualidade”, defendeu Ribeiro.

Avalia√ß√Ķes

Além de medir o desempenho dos estudantes, o Inep coleta, por meio de question√°rios, informa√ß√Ķes sobre o perfil desses estudantes, o que, de acordo com a autarquia, precisa ser levado em considera√ß√£o quando se olha para os resultados dos exames. A maior parte dos alunos de educa√ß√£o à dist√Ęncia, 55%, por exemplo, trabalha 40 horas por semana, e apenas 12% n√£o trabalham. Na educa√ß√£o presencial, as porcentagens se invertem, 52% n√£o trabalham. Os resultados dos indicadores mostram que estudantes de cursos presenciais têm melhores resultados que aqueles de ensino à dist√Ęncia.

Alexandre Lopes explicou que as institui√ß√Ķes participantes do processo de avalia√ß√£o têm acesso detalhado do desempenho dos estudantes e a compara√ß√Ķes com outras institui√ß√Ķes de ensino com perfil semelhante.

“Uma das principais informa√ß√Ķes que a gente pode dar como indutor da qualidade é essa informa√ß√£o especializada. Essa é a import√Ęncia da avalia√ß√£o externa. Ser uma avalia√ß√£o nacional permite essa comparabilidade. Ent√£o, além dos resultados das avalia√ß√Ķes internas e dos próprios processos avaliativos dos professores, esse tipo de avalia√ß√£o externa permite a compara√ß√£o e permite que a institui√ß√£o reflita sobre isso e procure trabalhar o seu projeto pedagógico”, disse.

Os resultados da avalia√ß√£o divulgados hoje (20) ainda n√£o mostram o impacto da pandemia do novo coronavírus (covid-19) na educa√ß√£o. O Enade, que seria aplicado este ano, de acordo com Lopes, foi adiado para 2021. Somente após esses resultados ser√° possível medir os níveis de abandono e de aprendizagem no ensino superior em 2020, disse.

O Enade 2019 avaliou os cursos das √°reas de ciências agr√°rias, ciências da saúde e √°reas afins; engenharias e arquitetura e urbanismo; e os cursos superiores de tecnologia nas √°reas de ambiente e saúde, produ√ß√£o alimentícia, recursos naturais, militar e de seguran√ßa. Entraram na avalia√ß√£o, por exemplo, os cursos de medicina e enfermagem. A cada ano, um conjunto diferente de cursos é avaliado.